A alteridade religiosa num mundo plural

VIVEMOS HOJE num mundo plural. A “civilização unitária”, etnocentrista, desconsiderou o valor dos povos, raças e culturas, ora subjugando, ora destruindo o que não fizesse parte do arcabouço de valores dos que se viam como centro do mundo. Mas a cada dia, o pensamento plural tem mostrado que esse tipo de atitude não tem futuro, se é que queremos ter um futuro.

ESTE PENSAMENTO plural também alcança o âmbito da religião. Não é mais possível que cada grupo religioso se mantenha isolado e sem diálogo com tradições diferentes da sua. Já passamos pela época em que o cristianismo, religião dos colonizadores europeus, era imposta aos povos invadidos e colonizados, sem nenhuma consideração pela religião nativa, considerada selvagem, demoníaca ou arcaica.

O PLURALISTA não é aquele que abandona suas convicções de fé e prática e nem aquele que impõe estas suas convicções a outros, mas é “aquele que se serve do diálogo para enriquecer e renovar suas convicções”(Guimarães, p.48).

Mas é preciso superar todo complexo de superioridade que uma tradição religiosa possa ter, todo sentimento de exclusivismo, absolutismo da verdade, e se abrir a uma atitude de autocrítica e à visão do outro. De onde vieram(e de onde vem hoje) o ímpeto da “guerra santa” a não ser da “incapacidade de perceber o valor de fé de outras tradições religiosas”?

DO DIÁLOGO ECUMÊNICO e inter-religioso não resulta que se abdique da sua própria fé, mas sim, que seja feita uma abertura onde se reconheça o valor da fé alheia, o que em última instância, favorece o enriquecimento das tradições compartilhadas.

Segundo Faustino Teixeira, as religiões são forçadas ao diálogo e à argumentação.

“Não há como escapar do processo permanente de redefinição da identidade e da reinvenção da tradição numa sociedade plural. As mudanças em processo provocam um sério questionamento às certezas de fé enrijecidas ou cristalizadas. Não se trata, porém, de abandonar a tradição, mas de reinterpretá-la criativamente, adequando-a à situação contemporânea”

E o maior exemplo desse universalismo encontramos nos profetas de Israel e em Jesus, tema para  próximos textos.

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Citação:
Marcelo Rezende Guimarães, Um novo mundo é possível. Editora Sinodal.

Sobre Eduardo Medeiros

O sentimento religioso não se confunde com a teologia. Deus é uma necessidade mas somente podemos concebê-lo através de imagens da linguagem. As imagens não são Deus, mas precisamos das imagens para perguntar sobre Deus.
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