A morte expiatória de Jesus

Achei o último comentário do Doni interessante, por isso, vou postá-lo aqui para que a discussão sobre o tema possa continuar.

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(Rm 3:23-26) ” Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela REDENÇÃO que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para PROPICIAÇÃO pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela REMISSÃO dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua JUSTIÇA neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.”

É difícil digerir a idéia do Rubem pelo simples fato, de não encontrarmos um significado tal a estas palavras em destaque, que não seja transmitir o conceito de expiação.

Durante o período patrístico, de fato, a ênfase não repousava no sacrifício da cruz. Naquele período a ótica era a preexistência e a encarnação. Mas isso se dava pela simples razão deles polarizarem a salvação apenas na dimensão da alma em detrimento do corpo. E com isso relegavam também a ressurreição.

A igreja ocidental por sua vez, focaliza o fim da vida de Jesus, seu sofrimento e morte. É lógico que esta noção também teve seus efeitos colaterais, como por exemplo; levar a pessoa a procurar a pobreza e o sofrimento como sendo virtudes sine qua non para ser herdeiro do reino.

Num outro pólo tem essa ênfase no ministério da vida terrena de Jesus. Nesse conceito descarta o elemento metafísico da divindade de Jesus, e ao mesmo tempo em que o sofrimento e morte é relegado como sendo inadequado. E nesta progressão acaba-se concluindo que o próprio Cristo se tornou desnecessário, no sentido de ter se tornado apenas um exemplo de abnegação.

Por isso à necessidade de uma hermenêutica não fragmentada da soteriologia. Temos que ter uma visão do Cristo Total, Nascimento, vida, morte vicária, ressurreição e parousia. Se tirarmos um desses elementos da soteriologia, ela se tornará sem sentido. Todos esses elementos devem atuar simbioticamente, para que o processo da redenção seja levado ao efeito.

Sobre Eduardo Medeiros

O sentimento religioso não se confunde com a teologia. Deus é uma necessidade mas somente podemos concebê-lo através de imagens da linguagem. As imagens não são Deus, mas precisamos das imagens para perguntar sobre Deus.
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30 respostas para A morte expiatória de Jesus

  1. Edu disse:

    Doni,

    muito pertinente seu comentário(tanto que virou post…rss). Mas cabe observar que o Rubens não estava negando que a doutrina da expiação está na teologia paulina(basicamente) e sim, que ela não lhe fazia mais sentido.

    Eu também não nego que Paulo assim esquamatizou a morte de Jesus, mas cabe a pergunta: Será que o próprio Jesus ou os evangelistas pensaram assim?

    Será que a morte de Jesus tem que ser NECESSARIAMENTE expiatória para ter valor?

    esquamatizar e dogmatizar a morte de Jesus como sendo uma continuação dos sacrifícios arcaicos do AT não parece ser exatamente uma tentativa de Paulo de fazer uma releitura das tradições do culto sacrificial do AT para a pessoa de Jesus?

    Se a morte de Jesus não foi uma oferenda para que Deus esquecesse sua ira e se tornasse propício ao pecador, o que podemos construir teologicamente a partir dessa negação?

    mas se a morte de Jesus era o único jeito de Deus esquecer sua ira(veja que a teologia ortodoxa pensa que Deus continua irado com o pecador, mas esquece da ira e se abre a amar o pecador ao ver o sangue do Filho que foi derramado), o que podemos pensar dessa atitude divina?

    vamos pensar…abraços a todos que participarem do debate.

  2. Edu disse:

    doni, sobre tua frase

    “Por isso à necessidade de uma hermenêutica não fragmentada da soteriologia”

    é possível não fragmentar a soteriologia já que ela mesma já está fragmentada no NT?

    você diz que

    “Temos que ter uma visão do Cristo Total, Nascimento, vida, morte vicária, ressurreição e parousia.”

    Mas esse “Cristo total” ao qual você se refere não seria na verdade o “Cristo total” da ortodoxia cristã?

    Será que o próprio pensamento do apóstolo Paulo resiste a uma investigação da sua “unidade”?

    Por que o cristianismo tem que seguir apenas o que um apóstolo esquematizou sobre a vida e obra de Jesus?

    Doni, não leva a mal tantas perguntas..rssssss considere-me como um aluno chato que fica indagando ao professor o que ninguém tem coragem de perguntar…rsss

  3. Valeu Edu pela honra.

    Fico contente que um comentário feito de forma totalmente despretensiosa venha se tornar objeto de discussão.

    Antes de entrarmos na questão do tema, gostaria de fazer mais uma breve consideração e também uma sugestão.

    Devemos considerar que nós ocidentais não concebemos a idéia de uma relativização do sacrifício na cruz. Mas o temos como o clímax da redenção. Mas a tradição oriental incluindo muitos pais da igreja, tinha outro princípio epistemológico como eu disse no texto. O ponto crucial da salvação foi em que Deus se encarnou e habitou entre nós. Relativiza-se o sacrifício. E com isso a cruz foi apenas conseqüência da rejeição imposta ao filho de Deus.

    Agora a sugestão Edu. Vamos colocar numa outra oportunidade estas diferenças divisórias entre as teologias oriental e ocidental. Visto que o motivo do cisma na idade média não foi meramente motivado por questões políticas.
    Uma característica interessante e central da teologia da igreja oriental, é de que Deus é racionalmente desconhecível. Por isso sua noção epistemológica sobre Deus, era baseada numa linguagem apofática. Ou seja, estabelecia como princípio a negação. Ao invés de afirmar o que Deus é, seria melhor dizer o que Ele não é. Por exemplo: Nós ocidentais dizemos que Deus é infinito. Ao passo que o oriental diz que Deus não é finito. A uma diferença sutil entre as afirmações.
    Dentro do tema proposto nesta postagem, Diríamos que Deus é justiça, mas na linguagem apofática diria que Deus não faz injustiça.

    Com isso esta nossa herança cartesiana de pensar com precisão matemática acerca da natureza de Deus, precisaria ser revista. O problema é que para muitos isto é sinônimo de fracasso intelectual.

    Até mais.

    • Doni,

      teu comentário está muito bem elaborado para virar postagem e como eu quero continuar a conversa sobre o tema, nada melhor do que pô-lo em evidência.

      particularmente, eu prefiro a tradição cristã oriental. É exatamente esse ponto de que o sacrifício de Jesus foi vicário à moda dos sacrifícios do AT que eu quero contestar.

      boa sugestão de confrontar as tradições orientais e ocidentais. Fique à vontade! rs de repente, você publica lá no teu blog.

      Eu também não gosto das nossas definições de Deus dizendo que ele é isso ou aquilo e também não gosto das definições que dizem que ele não é isso nem aquilo…mas sei também que não dá para falar de Deus sem de alguma forma, defini-lo, mas tenho a consciência de que nenhuma definição dele é perfeita e absoluta, nem mesmo aquelas que estão na Bíblia. Se eu pudesse sintetizar uma definição, eu fico com “Deus é amor” ou “Deus não é ódio”.

      Portanto, concordo que a nossa herança cartesiana precisa ser diminuída.

  4. Edu,

    Como eu disse, existe por parte dos teólogos de várias tradições, uma tentativa de explicar esta tensão dialética entre a ira e a misericórdia de Deus. Aí está a gênese da expiação. Muitos nesta tentativa acabaram desembocando na doutrina calvinista da dupla predestinação, ou então no conceito de salvação universal.

    Com razão, tanto eu como você, por inferência podemos afirmar que Jesus nunca teve a intenção de fazer da sua mensagem uma religião exclusivista. Como podemos também concluir que Ele tão pouco pensou em dogmas, certo e errado, isso pode isso não pode etc. Quem deu esta “cor”, esta “roupagem” ao evangelho foi Paulo.

    Muitas outras doutrinas, uma delas essa em pauta, (sacrifício expiatório) ganharam forma através das epístolas. Ou seja, a sistematização dogmática foi estruturada pelos Apóstolos, mais especificamente por Paulo. (Uma certa ocasião Jesus disse que tinha muitas coisas a ensinar, mas não era aquele o momento. Seria uma referência implícita a Paulo?) Senão a Eklesia, o ajuntamento dos chamados, citada por Jesus em Mateus 16, não teria um norte. Uma escritura pela qual ela firmasse suas bases.

    Lembrando Edu, que a Expiação tratada por Paulo, foi formulada através da sua interpretação da Tanach, pois nela a idéia da expiação foi largamente difundida, visto que suas epístolas são anteriores aos evangelhos. Portanto ele não sabia, por exemplo, da afirmação de João Batista sobre o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Ele sabia das palavras do próprio Jesus que no evento da ceia, usou o cálice dizendo que este simbolizava seu sangue que seria derramado em favor de muitos.

    No pensamento de Paulo Edu, o sacrifício de Cristo não foi apenas uma extensão do sistema sacrificial, mas o cumprimento daqueles para o qual o sistema apontava.

    Edu, não podemos esquecer que até mesmo o conceito universalista da salvação proposto por Paulo (se é que Paulo fazia menção de universalismo em seus textos) também tinha como base o sacrifício. Olha o que ele diz quando faz um paralelo antitético entre Adão e Cristo:
    “Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
    Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.” (Rm 5:18-19)

    • Doni,

      conforme eu disse a cima, é problemático pensarmos que Deus tem ira ou misericórdia, pois sempre que fazemos isso, a nossa referência de ira e misericórdia, é a humana, e são essas qualidades nossas que os autores bíblicos puseram em Deus.

      creio ser extramente arcaico a ideia de que Javé precisava de sacrifício animal para que sua ira contra o pecador fosse aplacada; essa é uma característica das religiões cananéias que o povo israelita herdou por inculturação. Logo, o sacrifício de Jesus sendo nos mesmos moldes daqueles, é para mim bastante incômodo.

      Concordo que a comunidade emergente cristã precisava de escrituras onde sua fé fosse exposta e preservada e também anunciada e Paulo fez isso de forma soberba. Concordo que ele é o verdadeiro criador do cristianismo como religião dogmatizada.(e aqui não vai qualquer crítica à princípio, ao dogma).

      É exatamente o fato de Paulo escrever antes dos Evangelhos que me fazem relativizar o seu pensamento sobre a morte vicária de Jesus. Aqueles que escreveram os evangelhos(não só os canônicos oficiais) não tiveram a preocupação de explanar uma doutrina que viria ser o cerne do cristianismo. Por que? Talvez porque em suas lembranças não havia nenhum ensino de Jesus sobre isso? Isso me leva a pensar que as pouquíssimas passagens nos evangelhos que podem suscitar o tema, serem de fato, bem recentes e construções de fé da respectiva comunidade.

  5. Edu, você disse:

    “Doni, não leva a mal tantas perguntas..rssssss considere-me como um aluno chato que fica indagando ao professor o que ninguém tem coragem de perguntar…”

    Me engana que eu gosto. Rsrsrs. Até parece que você não sabe das respostas. Mas respeito. Pois um dia o papel de inquiridor já esteve e qualquer hora estará do outro lado. Rsrsrsr.

    Brincadeiras a parte, somos aprendizes de teólogos. Como disse alguém: “somos anões em ombros de gigantes”. Pensamos o pensamento dos outros.

    Você disse: “Mas esse “Cristo total” ao qual você se refere não seria na verdade o “Cristo total” da ortodoxia cristã?”

    Sim. Para isso devemos partir do pressuposto de que existe uma linha de grandes
    pensadores cristãos, que desde os dias do novo testamento até hoje, lutaram para preservar esta unidade em torno da soteriologia. Embora estivesse aberta ao debate, e dentro da necessidade promover uma correção ou uma revisão aqui ou ali, salvo as ênfase em tópicos diferentes, mais em função das divergências em torno da natureza de Cristo, podemos dizer que sim.

    Lembre-se meu caro Edu! Os heterodoxos foram deixados para traz. Sucumbiram ante a força da ortodoxia. Rsrsrs

    Abraços.

    • Doni,

      eu realmente estou falando sério quando digo que sou um aluno chato que faz perguntas embaraçosas ao professor(mesmo por que eu era assim mesmo no seminário, onde recebi a alcunha de contestador herege rss).

      Você tem uma cultura teológica invejável, superior à minha(digo isso sem falsa modéstia). Mas você errou feio ao dizer que os heterodoxos foram “deixados para trás” , na verdade, eles foram deixados nas fogueiras da inquisição pelos ortodoxos que tinham o poder temporal ao seu lado…kkkkkkkkkkkk

      contesta isso que eu quero ver, professor!!!!!!

  6. Anônimo disse:

    Putz Edu! Esse papo entre teólogos requintados de vc e o Doni, provoca uma imensa aeróbica mental para exercitar meus limitados e sôfregos tico e teco que entram em exaustão para ao menos conseguir assimilar o mínimo dessa conversa que está muito além da minha capacidade de reflexão!

    Um dia quem sabe fico BÃO e chego no nível de vcs!

    Não interprete isso com sátira, mas como a mais pura constatação da minha realidade intelectual, pois considero vcs dois profundo demais para meu atrevimento em dizer alguma coisa a respeito de certos assuntos que vcs discutem!

  7. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela REDENÇÃO que há em Cristo Jesus.”

    Donizete já que você destacou a palavra redenção vou, sobre ela, tentar tecer alguns considerações no campo psicológico.
    A Redenção, consistiria na restauração do estado original, anterior a um rompimento no mundo psíquico humano. A Ruptura teve como conseqüência: o antagonismo dos afetos humanos . Essa luta que se trava primeiramente no interior da mente do indivíduo (vide o mito de Caim e Abel), por um mecanismo psíquico de PROJEÇÃO, desembocou numa luta eterna: a de expulsar o “lado mal” de si no outro denominado de inimigo, que terminou por se tornar a “mola impulsionadora” na história do Deus Véterotestamentário, expresso através das muitas guerras que, no imaginário dos profetas, provinham de uma ordem divina (Javé)

    Segundo Haim Cohn, ex-presidente da Suprema Corte de Justiça de Israel, “os teólogos procuraram estabelecer os fundamentos sobre toda a revisão jurídico-dogmática e jurídico-histórica no qual foram realizados os diversos procedimentos que levaram à crucificação de Jesus sem nunca completarem. Nenhum outro julgamento influiu tanto na história da humanidade quanto o de Jesus e, em particular, determinou durante séculos, um ódio tão profundo para com o povo judeu, ódio esse que se transformou em perseguição e que causou tanto derramamento de sangue inocente” .

    Ô Doni

    O texto que postei recentemente no “Ensaios & Prosas”, com o título: “Anti-semitismo: Uma Abordagem Psicanalítica”, que você, por sinal, leu e deixou lá registrado o seu significativo comentário, mostra que o “bode expiatório” continua vivo, mesmo após a“morte expiatória de Cristo”. (rsrs)

  8. Com relação ao comentário do Levi(este sempre escreve comentários que são na verdade, postagens disfarçadas de comentários).

    Taí, nunca tinha pensado nisso: a morte vicária de Jesus que era para salvar o pecador da ira divina, acabou sendo um “bode expiatório” para o anti-semitismo cristão contra o seu próprio povo…ironias da história?

  9. Oi Levi,

    Eu diria que nenhum julgamento influiu tanto não somente historicamente, (lado negativo) mas também transcendentemente. (lado positivo). Mas pode ser que esta ambivalência não existiria, se o julgamento de Jesus fosse conduzido de maneira honesta, imparcial. Mas é justamente aí que está o nó! se o julgamento de Jesus, tivesse suas bases legais do ponto de vista jurídico, Jesus seria absolvido. Logo, não seria conclusa a obra de expiação!

    Agora; É bom enfatizar que não devemos considerar que uma raça inteira de pessoas (os Judeus) tenha causado a morte de Jesus. E também não creio que passa pela cabeça da maioria dos cristãos esta idéia. Se tivéssemos que culpar alguém (excluindo o axioma cristão de atribuir a culpa ao pecado ) tinha que ser uns poucos sacerdotes envaidecidos e enciumados, que instigaram a multidão a votarem a favor de Barrabás.

    Aquela pergunta que fiz lá no seu blog, volto a fazer aqui: Existe uma explicação racional para esta animosidade DE cristãos em relação aos judeus? Aquele ressentimento de Hitler, não foi à somatória de diversos fatores e não um ato em si?

    Abração.

  10. Donizete

    Sobre sua pergunta:

    “Existe uma explicação racional para esta animosidade DE cristãos em relação aos judeus? Aquele ressentimento de Hitler, não foi à somatória de diversos fatores e não um ato em si?”

    Deixa eu ver se posso ser entendido em poucas palavras (rsrs)

    As queixas ou ressentimento tipo: “Estou assim por causa de minha família”. “Ele é o culpado de estarmos nessa situação”, “Só quando ele me perder é que vai me dar valor” ― são mecanismos de defesa psíquica em que o personagem ressentido, ou sensível, se torna um acusador silencioso de um outro mais forte, diante do que ele se apresenta “coberto de razões”. A RACIONALIZAÇÃO que o queixoso executa não passa de um efeito ou conseqüência de algo que ocorreu primariamente em um nível inconsciente, determinante da reação do indivíduo.

    Portanto, o racionalizar, no caso do anti-semita é uma reação contrária a uma ação provinda do inconsciente ― uma espécie de porão da mente onde se escondem crimes não ditos e pensamentos inconfessáveis (os recalques)

    O ressentimento expressa a tentativa do EU de evitar confrontar-se com sua própria covardia.

    O ressentido ao expor o seu plano, revela a sua face negativa, representada por uma pretensa pureza moral e, quando goza da adesão e da simpatia da maior parte da população, transforma-se em um verdadeiro monstro, tipo Hitler.

  11. guiomar disse:

    Edu, você disse: “esquamatizar e dogmatizar a morte de Jesus como sendo uma continuação dos sacrifícios arcaicos do AT não parece ser exatamente uma tentativa de Paulo de fazer uma releitura das tradições do culto sacrificial do AT para a pessoa de Jesus?”

    E se pensássemos exatamente como diz a bíblia, que os arcaicos sacrifícios do AT apontam para a cruz, e não o contrário?

    Veja no Édem, Deus vestiu Adão e Eva com túnicas de peles. Houve derramamento de sangue para haver vestiduras…

  12. “Veja no Éden, Deus vestiu Adão e Eva com túnicas de peles. Houve derramamento de sangue para haver vestiduras…”

    Ô Guiomar

    Gostei… de sua explicação mítica (ou foi literal? – rsrs). Há de fato uma ligação entre o mito da criação do Gênesis e o mito cristão da redenção narrada nos evangelhos

  13. Gui,

    você pode perceber que é a teologia cristã da expiação que interpreta o AT a partir da sua fé em Jesus e não o contrário? E por quê? É simples, em nenhum momento os escritos do AT sobre expiação apontam para um futuro homem que iria ser sacrificado para remissão dos pecados humanos, isso é feito a posteriori na tradição cristã.

    A tradição cristã se apropriou da tradição sacrificial do AT para construir a ideia de que Jesus morreu uma morte vicária.

  14. Gui,

    Lamentavelmente temos que dar razão ao nosso amigo e ilustre herege! rsrsrsrs

    Na verdade Gui, ao longo da história da igreja, aconteceram várias mudanças no âmbito da cristologia. Em conseqüência disso algumas interpretações soteriológicas tiveram que ser revistas também.

    Grande parte dos dogmas vigentes na igreja teve sua nascente no período patrístico, mais precisamente em Agostinho. Isso se deu em função das sucessivas controvérsias com algumas ideologias que iam surgido. O paradigma atual da expiação, pelo menos no ponto de vista do ocidente, foi definida pelo Papa Grogório no sexto século.

    Para termos uma idéia melhor, Anselmo, respeitado teólogo do século XI, elaborou uma teoria envolvendo a expiação, não menos interessante do que o os modelos oriental e ocidental. A chamada expiação pela compensação.

    Sem querer entrar em detalhes, é conhecida no decorrer da história pelo menos cinco teorias sobre a expiação. Primeiro foi a do resgate, depois a da compensação, que mais tarde recebeu alguns retoques de Calvino e se transformou na teoria da substituição penal, que é essa adotada por nós. Contudo muitos estudiosos a consideram jurídica ou legalista demais para retratar o amor de Deus.

    Um contemporâneo de Anselmo, chamado Abelardo, não concordando com nenhuma teoria conhecida até seus dias, desenvolveu a sua própria, com a teoria da expiação pela influência ou de exemplo moral. Onde de uma maneira até simples, ele explica como a morte de Jesus traz a reconciliação da raça humana com Deus. Se você conferir, notará que este sim enfatiza o amor acima da honra ou da ira de Deus.

    Estou citando apenas aquelas que causaram grande convulsão nos meios eclesiásticos. Mas existem outras.

    Sem levar em conta as divergências que existiram em torno da extensão da expiação.

    Bom! Espero ter contribuído com alguma coisa.

    Abraços.

  15. guiomar disse:

    Edu e Doni, o que significa então Isaias 53, Daniel 9.25,26 .

    Salmo 41:9 – Até meu próprio amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim seu calcanhar.

    Cumprimento

    Marcos 14:10 Mateus 26:14 a 16 Marcos 14:43 a 45 – Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.

    Profecia feita em 500 antes de Cristo.

    Zacarias 11:12 11:13 – Eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que me é devido, se não deixa-o. Pesaram pois o meu salário, trinta moedas de prata.

    Mateus 26:15 27:3 a 10 – E disse: Que me quereis dar e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata.

    Zacarias11:13 – O Senhor me disse: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trintas moedas de prata e as arrojei ao oleiro na casa do Senhor.

    Cumprimento

    Mateus 27:6-7 27:3-5 8:10 – E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito coloca-las no cofre das ofertas, pois é preço de sangue. Depois de deliberarem, compraram com elas o campo do oleiro, para a sepultura dos estrangeiros.

    Zacarias 13:7 – Desperta, ó espada, contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o pastor e as ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos.

    Cumprimento

    Mateus 26:56 26:31 Marcos 14:50 – Tudo isto, porém, aconteceu, para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então os discípulos todos, deixando-o fugiram.

    Salmo 22:6-8 – Mas eu sou verme e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo. Todos os que me vêem zombam de mim: afrouxam os lábios e mexem a cabeça: Confiou no Senhor! Livre-o ele, salve-o, pois nele tem prazer.

    Cumprimento

    Mateus 27:41-43 João 19:2-3 – De igual modo os principais sacerdotes, com os escribas e anciãos, escarnecendo, diziam: salvou os outros, a si mesmo não pode salvar-se. É rei de Israel! Desça da cruz e creremos nele. Confiou em Deus; pois venha livrá-lo agora, se fato lhe quer bem: porque disse: Sou Filho de Deus.

  16. guiomar disse:

    Edu e Doni, o que significa então Isaias 53, Daniel 9.25,26 .

    Salmo 41:9 – Até meu próprio amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim seu calcanhar.

    Cumprimento

    Marcos 14:10 Mateus 26:14 a 16 Marcos 14:43 a 45 – Então Judas Iscariotes, um dos doze, foi ter com os principais sacerdotes, para lhes entregar Jesus.

    Profecia feita em 500 antes de Cristo.

    Zacarias 11:12 11:13 – Eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o que me é devido, se não deixa-o. Pesaram pois o meu salário, trinta moedas de prata.

    Mateus 26:15 27:3 a 10 – E disse: Que me quereis dar e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata.

    Zacarias11:13 – O Senhor me disse: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trintas moedas de prata e as arrojei ao oleiro na casa do Senhor.

    Cumprimento

    Mateus 27:6-7 27:3-5 8:10 – E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito coloca-las no cofre das ofertas, pois é preço de sangue. Depois de deliberarem, compraram com elas o campo do oleiro, para a sepultura dos estrangeiros.

    Zacarias 13:7 – Desperta, ó espada, contra o meu pastor e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos; fere o pastor e as ovelhas ficarão dispersas; mas volverei a mão para os pequeninos.

    Cumprimento

    Mateus 26:56 26:31 Marcos 14:50 – Tudo isto, porém, aconteceu, para que se cumprissem as Escrituras dos profetas. Então os discípulos todos, deixando-o fugiram.

    Salmo 22:6-8 – Mas eu sou verme e não homem, opróbrio dos homens e

  17. guiomar disse:

    Profecia feita em quase 1000 anos e a outra em 500 anos antes de Cristo.

    Salmo 22:16 Zacarias 12:10 – Cães me rodearam; o ajuntamento de malfeitores me cercou, trespassaram-me as mãos e os pés.

    Cumprimento

    João 20:27 19:37 20:25-26 – Então disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo: vê as minhas mãos. Chega a tua mão e põe-na no meu lado. Não sejas incrédulo, mas crente.

    Isaías 53:12 Salmo 109:4 – … levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

    Cumprimento

    Lucas 23:34 Hebreus 9:24 1 João 2:1 – Jesus, porém, dizia: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem. Repartindo as vestes dele, lançaram sortes.

    Profecia feita em quase 1000 anos antes de Cristo.

    Salmo 22:18 – Repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre minha túnica.

    Cumprimento

    Marcos 15:24 João 19:24 – E eles o crucificaram. Repartindo entre si as vestes dele, lançaram sorte, para o ver o que cada um levaria.

    Profecia feita em quase 1000 anos antes de Cristo

    Salmo 69:21 – Por alimento me deram fel e na minha sede me deram a beber vinagre.

    Cumprimento

    João 19:29 Mateus 27:34-48 – Estava ali um vaso cheio de vinagre. Embeberam uma esponja, colocaram-na numa vara de hissopo e chegaram-na à sua boca.

  18. guiomar disse:

    Edu, perdoe que não consegui apagar a dobradinha. Apague se possível, por mim.

    Vocês querem me dizer que tudo isto foi escrito depois, ou interpretado de forma distorcida?

    Qual a razão para eu não crer que Gálatas e tantos outros escritos sobre a morte de Jesus para purificação dos nossos pecados, são duvidosas ou inverossímeis?
    Simplesmente porque outros estudiosos concluíram?

  19. guiomar disse:

    Pois é Levi, vamos esperar está além desta vida terrena, e saberemos então, todas as verdades.

    Eu continuo crendo que: “Eles verão aquEle a quem transpassaram”.

  20. Gui,

    O conceito de que a morte de Jesus foi o meio definitivo de aplacar a ira de Deus contra o pecador, tornando-o propício a Ele, é que está em discussão.

    Não podemos desconsiderar que o nosso paradigma de expiação também é uma construção teológica feita por estudiosos. como as demais também! Eu também não discuto a eficácia do sangue de Cristo que nos purifica de todo o pecado. mas não podemos negar o caráter axiomático desta afirmação.

    Você citou Isaías 53. Que é o texto base do sacrifício vicário utilizado pela igreja! Mas não existe unanimidade nem em relação à esta interpretação!

    por exemplo: Os judeus argumentam com alguma razão que o servo sofredor não se trata do Messias, mas sim do próprio Israel! e basta não desconectarmos o capítulo 53 do anterior e do posterior, que também podemos por inferência ter essa compreensão.

    E mesmo concluindo que o servo sofredor é Jesus, os problemas envolventes não são prontamente solucionados. Surgem outros que trataremos noutra ocasião!

    Guiomar, não estou argumentando no sentido de desconstruir uma doutrina milenar! isto deixo a cargo do Edu! rsrsrsr Mas sim para nos atentarmos para os princípios epistemológicos que fizeram com que essa doutrina chegou até nós!

    Abraços!

  21. guiomar disse:

    Doni, Os judeus não aceitaram o Messias, visto que Ele não atendeu as suas necessidades políticas, não é certo…?

    As referências que deixei aqui fala de um homem que morreria e morreu pela humanidade. Coloquei porque nosso herege também não crer na morte de Jesus. rsrs

    Vejo que os estudiosos seja de qual for o tema, nunca chegaram por unanimidade a uma conclusão comum. Portanto, como história quase sempre são informações pesquisadas, que podem ter ou não razão, não há possibilidade de um consenso.

    Creio que o único meio de entendermos o sacrifício expiatório de Cristo é pela Fé.
    Crendo na soberania de Deus, justiça e amor. Conhecendo ao Senhor, não teremos dúvida que não estamos diante de um Deus irado com sede de sangue e sim que Ele tinha razões suficientes para não aceitar outro meio de resgate a não ser pelo sangue de um homem sem mancha.

    Você lembra da história que contei sobre o meu irmão que roubou o dinheiro em casa? E como Deus falou com mamãe dizendo-lhe para recorrer a ele, mas não bater nele? Como Ele pode ser sanguinário? rsrs

    É simples demais para um intelecto arguto, mas grande demais para um coração que anela pelo que transcende a intelectualidade.

  22. Gui,

    esse argumento que você usa não é válido. Uma das regras básicas da exegese é procurar saber o que o autor de um texto quis dizer e não o que uma comunidade que viveu séculos depois re-interpretou.

    explico-me:

    se tomarmos todos os versículos que você citou em seu contexto, em nenhum deles está explícito ou apontando para um galileu nascido de uma “virgem” cuja morte seria expiatória para a humanidade. nem mesmo Isaías 53. Se lermos todos os detalhes desse texto, veremos que ele não cabe na vida de Jesus.

    mas com certeza os escritores dos evangelhos fizeram suas re-interpretações de passagens do AT para se ajustar à vida de Jesus como o messias esperado, principalmente mateus, o mais judeu dos evangelhos.

    isso é uma coisa normal na história bíblica. Um texto que significou uma coisa há centenas de anos, pode vir a significar outra coisa em outro momento histórico. Vemos isso muito nos textos proféticos e messiânicos.

    por exemplo, se formos afirmar que Jesus era o messias prometido pelos profetas, teremos que confessar que ele não cabe nas figuras messiânicas proféticas, principalmente do messias político e régio esperado e profetizado.

    ou seja, os judeus rejeitaram jesus, dentre outros motivos, por ele não se encaixar na figura messiânica libertadora política que eles liam nos profetas. Mas aí é que está outra dificuldade: o caráter do messias não é o mesmo em todos os profetas, pois até a figura do messias muda com a mudança histórica. Veja, até mesmo um gentio(!!!!) foi chamado de messias(Ciro) tão somente por que ele venceu o reinado babilônico que escravizou os judeus.

    Agora, não vou discutir a fé que se tem em Jesus como salvador do mundo. O que estou discutindo são as construções teológicas que se fizeram a respeito da sua morte.

    e como é isso de eu não crer na morte de Jesus????? Acho que você quis dizer na “ressurreição”, não? rsss

  23. Doni,

    te respondi as seus primeiros comentários logo abaixo deles, percebeu?

    E é bom ver um “assembereano” saber que

    “Não podemos desconsiderar que o nosso paradigma de expiação também é uma construção teológica “,

    pois os “assembleianos” diria que essa afirmação é quase herética.

    rssss

  24. É só assembereano mesmo viu Edu

    Você me perguntou lá no blog, se faço parte do ministério ou sou só professor?
    Por conveniência resolvi responder aqui.

    Sim! sou apenas um modesto professor de escola dominical. graças a Deus!
    Fazer parte do ministério das Assembléias de Deus Madureira, é complicado!

    Aqui em Campinas a família Ferreira (Bispo Manuel Ferreira) estabeleceu uma dinastia, e pensam em perpetuarem no poder. E tudo indica que vão conseguir!

    Diante desse quadro, qualquer pessoa com pensamento contrário, logo é isolado. Não estou me referindo a mim, visto não ter esta aspiração! Mas tenho acompanhado alguns casos, onde o abuso de autoridade é flagrante.

    Cada dia me convenço mais meu caro Edu! “O poder odeia o pensamento”.

    Abraços!

  25. Edu disse:

    doni,

    por acaso no meu tempo de ignorância, digo, de assembleiano, (rs) eu pertencia ao ministério de madureira aqui no Rio. Conheço bem até onde pude entrar, os esquemas, a dinastia e a falta de pensamento crítico desse ministério. Cheguei a ser diácono lá pelos idos dos meus 20 anos e era um forte candidato ao ministério pastoral. Fiz o seminário do IBE que é(ou era, não sei agora) ligado à Madureira. Mas cá prá nós, o seminário lá é(ou era, não sei agora) muito fraquinho, com raras exceções de bons professores que pensavam. Mas apesar da baixa qualidade do ensino, foi lá que conheci bons amigos e o melhor de tudo, conheci minha esposa…rsss

    E nem preciso dizer que eu e mais alguns colegas hereges, não éramos bem visto pela direção do seminário…rsssss

  26. Eder disse:

    Olá Edu, realmente andei visitando seu perfil no blogger e vi que excluiu o Olhar o Tempo e o “Botequim”, fiquei feliz ao receber sua visita e saber deste novo blog que já está incluído no blogroll, no momento ando meio sem tempo pra interagir como devia, passei para te agradecer e dizer que voltarei em breve, curto muito suas heresias, você sabe. A gente é parceiro e eu te respeito muito. Abração!

    Eu volto em breve.

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