Deus como experiência apaixonante

Chega-se a Deus não por um modo exterior – por prova, argumentação e conclusão – mas por um modo interior, pela experiência e pela verificação dessa experiência.

Um homem não se apaixona por uma mulher por reflexão, argumentação e conclusão. Salvo nos casamentos de conveniência! Alguém se torna apaixonado pelo encontro e pela experiência, por uma exultação interior. Depois, do interior dessa experiência, é que se apela à razão para verificar, autenticar e por em ordem esse amor…

Assim acontece com Deus. Ele não é um objeto de conhecimento entre tantos outros, ao qual acabamos nos reunir ou nos afastar, ao longo de um caminho racional. Deus não é a América de Cristóvão Colombo!…Deus só pode ser conhecido quando reconhecido: o homem torna-se crente ao acolher; verificar e organizar sua experiência.

François Varone

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A alteridade religiosa num mundo plural

VIVEMOS HOJE num mundo plural. A “civilização unitária”, etnocentrista, desconsiderou o valor dos povos, raças e culturas, ora subjugando, ora destruindo o que não fizesse parte do arcabouço de valores dos que se viam como centro do mundo. Mas a cada dia, o pensamento plural tem mostrado que esse tipo de atitude não tem futuro, se é que queremos ter um futuro.

ESTE PENSAMENTO plural também alcança o âmbito da religião. Não é mais possível que cada grupo religioso se mantenha isolado e sem diálogo com tradições diferentes da sua. Já passamos pela época em que o cristianismo, religião dos colonizadores europeus, era imposta aos povos invadidos e colonizados, sem nenhuma consideração pela religião nativa, considerada selvagem, demoníaca ou arcaica.

O PLURALISTA não é aquele que abandona suas convicções de fé e prática e nem aquele que impõe estas suas convicções a outros, mas é “aquele que se serve do diálogo para enriquecer e renovar suas convicções”(Guimarães, p.48).

Mas é preciso superar todo complexo de superioridade que uma tradição religiosa possa ter, todo sentimento de exclusivismo, absolutismo da verdade, e se abrir a uma atitude de autocrítica e à visão do outro. De onde vieram(e de onde vem hoje) o ímpeto da “guerra santa” a não ser da “incapacidade de perceber o valor de fé de outras tradições religiosas”?

DO DIÁLOGO ECUMÊNICO e inter-religioso não resulta que se abdique da sua própria fé, mas sim, que seja feita uma abertura onde se reconheça o valor da fé alheia, o que em última instância, favorece o enriquecimento das tradições compartilhadas.

Segundo Faustino Teixeira, as religiões são forçadas ao diálogo e à argumentação.

“Não há como escapar do processo permanente de redefinição da identidade e da reinvenção da tradição numa sociedade plural. As mudanças em processo provocam um sério questionamento às certezas de fé enrijecidas ou cristalizadas. Não se trata, porém, de abandonar a tradição, mas de reinterpretá-la criativamente, adequando-a à situação contemporânea”

E o maior exemplo desse universalismo encontramos nos profetas de Israel e em Jesus, tema para  próximos textos.

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Citação:
Marcelo Rezende Guimarães, Um novo mundo é possível. Editora Sinodal.

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Fé e Razão

Ao provocar a ruptura entre logos e mythos, a cultura ocidental gerou um acontecimento desconhecido em outras culturas: o conflito entre a fé e a razão. Pois para a alma religiosa, há um Deus; já para a razão, é preciso provar a existência da divindade.
Para o religioso Deus é um ser perfeito, bom e misericordioso, no entanto justo, punindo os maus e recompensando os bons. Para a razão, Deus é uma substância infinita, mas é preciso provar que sua essência é constituída por um intelecto onisciente e uma vontade onipotente.
A espiritualidade divina para o crente, não é incompatível com a presença de poder ver Deus atuar materialmente sobre o mundo, realizando milagres. Já para a razão, é preciso provar racionalmente que é possível uma ação do espírito sobre a matéria e por que, sendo Deus onisciente, realizando milagres suspenderia a ordenação necessária do mundo que Ele próprio estabeleceu.
A peculiaridade racional da cultura ocidental afetou a própria religião. Para competir com a razão e suplantá-la, a religião precisou oferecer-se na forma de provas racionais, teses, conceitos, teorias. Tornou-se teologia,  ciência sobre Deus. Transformou os textos da história sagrada em doutrina, coisa que nenhuma outra religião fez. Apesar de todas as transformações que a religião passou, há coisas que jamais serão comprovadas racionalmente, o que irá gerar questionamento sempre. A Filosofia e a ciência acusam a religião de dogmatismo, atraso, superstição e intolerância, enquanto a religião acusa a razão e a ciência de ateísmo e heresia.
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Por Eliene Percília
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Começando…

Estou começando no WordPress. Cansei dos bugs de Blogger…agora tenho que me inteirar completamente dos recursos do WordPress.

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